TransMISSÕES

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever" Clarice Lispector

sábado, 7 de novembro de 2009

Patrícia querida,

algumas coisas na vida acontecem absolutamente sem aviso nem preparação. São surpresas boas ou ruins que, por um motivo ou outro, enriquecem minha existência neste mundinho caído. A melhor das surpresas são pessoas que simplesmente me invadem e quando dou por mim, tornaram-se absolutamente essenciais ao meu equilíbrio vital. É por isso que sou cada vez mais convencida que Deus nos fez Sua família, irmãos e irmãs, para que cuidássemos uns dos outros. Ninguém vive só para si mesmo...

Bonitinha, você é parte da Graça que Deus derrama sobre minha vida todos os dias porque, definitivamente, não mereço sua amizade. Perto de você o mundo é bem mais belo e singelo. As flores são mais coloridas, o sol aquece mais, o vento é mais sereno e a chuva tão carinhosa! Enfim, a vida torna-se repleta de luz e poesia!

Há uma teória que diz que uma pessoa precisa de pelo menos oito abraços por dia para ser feliz. Opaaaa!!!! Viva a nossa amizade, onde não há economia de abraços! E sinceramente, eu desejo que você sinta-se sempre abraçada, querida, cuidada!

Juro que pretendia escrever um texto digno de sua exigência literária, mas não há mesmo como fugir de certas verdades incontestáveis. De fato, "as cartas de amor são ridículas, não seriam cartas de amor se não fossem ridículas". Estas linhas não são diferentes, o amor é mesmo brega e não há maneira original de encerrar, se não escancarando aqui todo o meu sentimento e as melhores intenções do meu coração.

Amo você! Oro para que o Pai atenda os desejos mais secretos do seu coração. Os de ontem, de hoje, amanhã, depois de amanhã, depois de depois de amanhã e por todos os anos de sua vida, enquanto você se deleita em fazer a Sua vontade. Feliz aniversário (todos eles)!

Beijos e Bênçãos!
De sua amiga, irmã e discipuladora,
Liege
ps: aí oh, agora só falta sairmos pra comemorar!
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

As Ondas

Eu me afoguei quando era criança. Devia ter uns oito anos. Nessa época, minha família freqüentava a restinga na Marambaia, praia bastante perigosa, com ondas muito fortes. No dia, eu brincava com uma prancha de isopor que tinha ganhado dos meus pais. Não era uma prancha de surf, embora tivesse tamanho compatível, era uma prancha pra recreação, cor de rosa, que eu gostava muito. É claro que eu não ficava sozinha na água, meu pai sempre me acompanhava, mas uma onda nos surpreendeu e nos separou no mar. A sensação foi das mais horríveis que já tive, as ondas se sucediam violentamente e iam me puxando pro fundo. Eu não dava pé e todas as vezes que conseguia vir a tona pra respirar um pouco, vinha uma outra onda que me atingia e fazia afundar novamente. Custou até que meu pai me alcançasse e levasse de volta pra areia. Essa experiência foi suficiente para eu ter medo do mar até hoje. Eu raramente vou a praia, e quando vou, dificilmente entro na água. As ondas ainda me apavoram.

As vezes essa sensação de afogamento me volta. São momentos, como o que vivo atualmente, nos quais por mais que eu tente, não consigo ficar de pé. Eu me esforço muito, mas cada vez que parece que algo vai acontecer e me livrar do desespero, vem uma outra onda de problemas e provações, que me leva novamente para o fundo. São dias difíceis...

Fico pensando se isso só acontece comigo ou será que você já passou por algo parecido na vida? Bem, eu quero dizer que hoje estou vivendo na esperança de que meu Pai celeste vai me tirar do meio das ondas assim como meu pai David o fez. Só que este “salvamento” está demorando muito mais do que eu esperava e isso as vezes me deixa muito cansada, confesso. Um dia desses conversei com um perito em salvamento e ele me disse que quando um afogado se debate demais, o salva-vidas precisa nocauteá-lo para que os dois possam chegar em segurança a praia. Acho que Deus está prestes a fazer isso comigo... Por que será que a gente demora tanto pra se entregar nas mãos de Deus, mesmo quando a situação é a mais adversa? Eu não sei, mas estou aprendendo.

Amanhã é meu aniversário (2/10). Eu vivo uma vida boa, vida abundante. Os dias não foram sempre bons, mas em todos eles Jesus esteve ao meu lado dizendo: “Coragem! Sou eu. Não temas”. Por isso quero ser como Pedro: “‘Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro por sobre as águas’. ‘Venha’- respondeu ele.” Quero ser mais ainda como Pedro depois que, por causa das ondas, começou a afundar: “'Senhor, salva-me!’ Imediatamente Jesus estendeu a mão e o segurou.” (cf. Mt 14.22-32). Esta é a minha confiança, Jesus sempre me colocará de pé, e é segurando em suas mãos e andando sobre as águas, que eu vou voltar para o barco! E eu oro pra que seja assim na sua vida também.

Amanhã, mais uma vez a minha vida recomeça. Meu coração é grato a Jesus que sempre segue comigo. Meu coração é grato a todos que fazem parte da minha vida, do meu ministério, enriquecendo-me a cada dia.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Somente a Graça

Assim como ao meu amigo Gil, o grupo Logos também dita a trilha dos meus sentimentos, que as vezes são apenas lamentos, em muitas situações...

Dá-me mais graça

Senhor Jesus, eu não entendo o espinho
Mas se a cruz é o fim deste caminho
Eu o aceito, não sou maior que o meu Senhor
Apenas servo sou, apenas servo e nada mais
Se as pontas aguçadas da coroa
Te feriram, ó cabeça
Eu que sou corpo, parte do teu corpo
Não devo reclamar
Dá-me mais graça, Senhor
Dá-me mais graça
Passa os teus dedos nos meus olhos
Vem me consolar
Dá-me mais graça, Senhor
Dá-me mais graça
Faze-me em Cristo outra vez ser mais que vencedor
Senhor Jesus, ainda não entendo o espinho
Mas se o mesmo faz parte da tua cruz
Eu o aceito, não sou maior que meu Senhor
Apenas servo sou, apenas servo e nada mais
Senhor, se estou por Ti sendo provado
Quero aprovado ser agora
Sei o que tens a dizer
E creio nisso também
Basta-me a graça.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Gentileza

- *É gostoso, tia Liege, prova.
- Obrigada querido, mas eu tô evitando doces. Preciso emagrecer urgente!
- Hummm... suas roupas estão apertadas?
- Não.
- Ih... agora ferrou. (com a testa franzida, cara de preocupado)
- Ferrou... como assim?
- É que um dia desses a minha mamãe também disse que estava gorda, que as roupas dela nem estavam mais cabendo. Então eu disse: "ah, mamãe... não é que a senhora está gorda, é que a máquina de lavar encolheu suas roupas".
- Ah...
- Mas se as suas roupas não estão apertadas, eu não sei o que dizer pra você, tia Liege. Eu não sei como ser gentil contigo...

* Fabinho aos sete anos

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Para Priscila (também)

“Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito de muitos irmãos.” Rm 8.29

Cada vez estou mais convencida da qualidade relacional de Deus. Creio, por exemplo, que Ele criou o homem para expandir o perfeito amor que existia dentro da Trindade. Deus não precisava de mais ninguém, mas Ele quis ter com quem mais se relacionar.

Quando Deus enviou Jesus ao mundo, Ele o fez com o intuito de restabelecer a comunhão perdida por causa do pecado. É por isso que Ele não apenas salvou o homem do inferno, mas também o reconciliou consigo e formou uma família. "Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina." 2Pe 1.4

É muito bom fazer parte da família de Deus! Melhor ainda ter uma irmãzinha como a Pri...

Parabéns, minha amiga, minha irmã.
Beijos e Bênçãos!
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Festa no céu

De 4 de janeiro a 4 de fevereiro aconteceu o Projeto Fortaleza. O objetivo deste projeto era fortalecer o Movimento Estudantil Alfa & Ômega na Universidade Estadual do Ceará (UECE). O projeto contou com 93 pessoas entre estudantes e obreiros e dois ministérios da Cruzada foram parceiros nesta empreitada: o próprio Alfa & Ômega e o BMM – Brasil Música e Missão. Durante este mês houve uma grande colheita na UECE e como resultado eu gostaria de apresentar duas novas irmãs: Távila Rabelo e Camila Cavalcante (no centro da foto acima, a esquerda está Débora Von Held (PUC-Rio), uma das minhas discípulas). Távila e Camila oraram convidando Jesus pra entrar em suas vidas no último dia em que fomos ao campus. Mas antes desse momento maravilhoso algumas coisas aconteceram e eu passo a narrá-las abaixo.

Eu e Débora estávamos procurando alguém com quem pudéssemos compartilhar o evangelho depois do primeiro show da banda V do Avesso (banda de Evangelismo do BMM). Foi aí que avistamos duas meninas, Camila e Danielle, e puxamos conversa. Logo descobrimos que elas já conheciam alguns estudantes do nosso grupo porque ao longo do mês já tinham sido abordadas várias vezes, porém ainda não tinham sido evangelizadas.

Neste dia nós conversamos bastante sobre questões sentimentais que era o que estava afligindo-as no momento. Conectamos-nos com elas através desse assunto quando compartilhamos algumas experiências particulares, momentos em que precisamos confiar em Deus para cuidar das nossas emoções. Foi muito importante mostrar a elas que Deus está preocupado com todas as áreas da nossa vida, mas como elas tinham pressa pra ir embora marcamos um almoço para dois dias depois com o objetivo de apresentar-lhes o evangelho.

Este seria nosso último dia no campus e eu cheguei à UECE determinada a falar para elas do amor de Jesus e orei pedindo a Deus que elas não faltassem o encontro. Soube depois que Débora mandou torpedos pros celulares delas confirmando que já estava no campus. Na hora marcada duas outras meninas do nosso grupo, Letícia (UFF) e Priscila (UFPE) juntaram-se a mim e Débora para o almoço com Danielle e Camila. Eu pedi que elas estivessem em oração para que Deus nos abençoasse quando fossemos falar. Danielle e Camila também convidaram outras três colegas, dentre elas, a Távila, que viria a se converter mais tarde.

O almoço foi desenrolando-se, cada uma pediu uma coisa diferente e a qualidade dos pratos foi severamente criticada. Mas a verdade é que por melhor que tivessem sido os pratos, nada rivalizaria com o banquete espiritual que desfrutaríamos em seguida.

Nós conversávamos naturalmente quando uma das meninas comentou algo a respeito do show da V do Avesso. Foi a deixa para eu perguntar se elas entendiam por que nós estávamos passando aquele mês na UECE, por que estudantes de tantos lugares pagavam caro para estar ali, etc. Uma delas respondeu que achava que na Bíblia tinha alguma coisa a respeito de ir junto pregar o evangelho. A partir desta resposta eu expliquei a elas sobre o amor de Deus que era tão real nas nossas vidas e nos constrangia a compartilhar com outras pessoas. Falei também que este amor estava disponível para elas mas requeria uma resposta. Eu compartilhei com elas meu testemunho pessoal. Infelizmente duas meninas precisaram ir embora e então ficamos apenas com a Danielle, Camila e Távila. Descobrimos que Danielle tinha entregado sua vida a Cristo em novembro e estava freqüentando uma igreja evangélica desde então (ela inclusive já tinha convidado Camila e Távila para ir com ela a igreja).

Então eu perguntei a Camila o que ela pensava de tudo o que falávamos. Ela começou a chorar e disse que a gente precisava saber que tudo o que o nosso grupo passou pra estar em Fortaleza tinha valido muito a pena porque, mesmo se ninguém mais tivesse dado atenção, ela deu. Ela estava bastante emocionada, mas era bem sincera também. Eu perguntei se ela tinha entregado sua vida a Jesus e ela disse que só sabia que Deus tinha começado uma coisa no seu coração. Eu citei Filipenses 1.6: "Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus". Nesse momento Débora (minha discípula) compartilhou entusiasticamente seu testemunho pessoal. As meninas ficaram muito atentas a tudo que estavam ouvindo. Incrível como o testemunho pessoal é, via de regra, impactante para as pessoas. Por isso, passamos quase uma hora explicando como nos entregamos a Cristo e a diferença que Ele faz diariamente em nossas vidas.

Também me dirigi a Távila e igualmente perguntei se ela já tinha entregado sua vida a Cristo. Ela disse entender tudo o que estávamos falando e o que nosso grupo havia feito naquele mês na UECE, mas que ainda faltava alguma coisa pra ela tomar essa decisão, que faltava vontade. Eu lhes disse então que Jesus havia comparado o Reino dos céus a um tesouro que um homem acha num campo, esconde, e vende tudo o que tem pra comprar aquele campo a fim de ter direito sobre aquele tesouro. Eu lhes fiz ver que estavam diante do maior tesouro que poderiam alcançar, a salvação em Cristo Jesus, e que elas não precisavam e nem deveriam esperar mais nada pra agarrar esse tesouro. Eu as convidei a orar entregando a vida a Cristo e elas decidiram fazer esta oração. Foi um momento maravilhoso como a própria Camila declarou num vídeo que gravou depois. Eu e Débora, e também Letícia e Priscila que acompanharam tudo em oração, nos sentimos muito felizes por Camila e Távila. Danielle também vibrava pela decisão de suas colegas de curso e eu lhe disse que a partir de então ela tinha a responsabilidade de ajudá-las a caminhar na fé.

Nós temos trocado recados no Orkut (viva a tecnologia!), num deles Távila disse: “o importante é que vocês deixaram a sua mensagem aqui nos estudantes da UECE e tenho certeza de eles levarão essa mensagem adiante... eu também vou levar!!!”.

A experiência de levar alguém a Cristo, mesmo que se repita muitas vezes na vida, é indescritível. Fazer isso com Débora, que é uma discípula e amiga tão querida, é ainda mais especial. Eu lembro que passei alguns dias abraçando-a e comemorando a festa que estava havendo no céu.

Camila e Távila não foram as únicas. Ao longo do mês 291 estudantes oraram recebendo a Cristo na UECE através do evangelismo pessoal e várias estratégias usadas pelo Alfa & Ômega. Outros 176 oraram nos três shows realizados pelo BMM. Dezenas começaram o processo de edificação durante o próprio projeto, outros serão discipulados pelos estudantes do Alfa & Ômega na UECE e acolhidos nas igrejas de Fortaleza. Eu estou tão feliz por tudo isso que nem sei ou quero terminar esse texto. É que adoro festa e não quero sair desta nunca...



(Da esquerda pra direita: Letícia, Távila, Camila, eu, Danielle, Débora e Priscila)
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Homenagem Póstuma

Eu adorava aquela mangueira.

Ela fazia sombra e me oferecia o sabor mais delicioso dentre os mais de vinte tipos de fruta que eu posso relacionar, havia no meu quintal. Nela meu pai amarrava a ponta de uma corda de nylon por onde eu fazia subir, num abrir e fechar de braços, um aviãozinho de plástico quando era criança. Aquela mangueira foi testemunha das minhas primeiras decolagens.

Ao contrário de outras árvores do meu quintal, nela eu não subia. Seu tronco era muito alto e os galhos começavam a se espalhar numa altura que desaconselhava tal atrevimento. Ela se impunha e eu, que uma vez cortei a foiçadas um mamoeiro simplesmente por estar no caminho da minha bicicleta, respeitava-a.

Também nunca feri seu tronco para escrever nomes dentro de um coração mal desenhado. Ela não merecia sofrer por causa dos meus amores infelizes.

Mas um dia, ela mesma reconheceu-se infeliz e, ao contrário de mim que insisto em viver, decidiu que devia morrer. Então ela, que sempre foi tão querida viva, morta tornou-se um perigo, pois diziam estar prestes a desabar no telhado do vizinho. Chamaram um estranho (que não amava como eu a minha mangueira) e ele lançou-se sobre ela de maneira impertinente e cortou-lhe os galhos secos. Ninguém viu, mas eu subi no terraço de onde ficava a sua altura e chorei. Chorei porque achei que ela também chorava. Ela não estava morta, estava viva dentro de mim, e a cada machadada, só eu ouvia seus gritos de dor. Eu também sentia dor.

A dor da saudade da minha infância, que me é uma lembrança tão querida e incrivelmente recente! A dor por todas as coisas que perdi e por todos os que se foram e não voltam mais.


Acrescentei mais um item a minha coleção de perdas.
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