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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Como a Igreja e a teologia podem contribuir para a preservação do meio ambiente

Tenho ouvido não apenas uma, mas muitas vezes, que Deus deu a Terra ao homem para que ele a dominasse. Seria simplista dizer que esta, na minha opinião uma interpretação completamente equivocada da ordem divina, é a responsável pelo caos ambiental que vivemos hoje. Mas, sem dúvida, o homem tem se comportado em relação ao planeta como como senhor e pior, como seu algoz.

A Terra foi dado ao homem para que ele fosse seu cuidador, mordomo, para que a raça humana tivesse condições de sobreviver, procriar, enfim... perpetuar-se. Ocorre que com o progressivo “sucateamento” que observamos, perpetuação da espécie começa a ser algo bastante inseguro. A verdade é que o homem tem sido um péssimo mordomo de todos os recursos naturais de que ainda dispomos. Em que se pese os exageros e a evidente necessidade de dramaticidade, até mesmo o cinema tem mandado seus recados a este respeito através de documentários e até filmes blockbusters como 2012, que está em cartaz atualmente.

Neste exato momento líderes mundiais estão em Copenhague tratando de temas como aquecimento global e outros que tem preocupado a comunidade internacional alertada por dados fornecidos pelos cientistas. Um aumento de apenas 2 graus na temperatura do planeta levará ao desaparecimento de milhares de espécies, o degelo das calotas polares está aumentando o nível dos mares e algumas ilhas do pacífico simplesmente serão submersas em 15 ou 20 anos. Algumas dessas ilhas são países que estão a apenas 5 metros acima do nível do mar. Um problema com essas informações é que tudo isso parece tão distante de nós que não nos preocupamos. Mas ontem, por causa de uma forte chuva, eu tive que enfrentar um alagamento no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, num dos bairros mais caros do Rio de Janeiro, e a água chegou a altura do capô do meu carro que agora está enguiçado na garagem. Bem, isso me faz pensar muito sobre meio ambiente e ecologia. O fato é que todo o mal que fazemos ao planeta, mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, nos atingirá porque é pecado contra a Criação de Deus.

Conquanto seja absolutamente legítimo o dever dos governantes de tratar e intervir nestas questões, se a Terra foi entregue ao homem por Deus, sem dúvida este também é um assunto para a Igreja. O cuidado com o meio ambiente é uma atividade espiritual expressamente ordenada por Deus: “Deus os abençoou, e lhes disse: ‘sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céu e sobre todos os animais que se movem pela terra’. Disse Deus: ‘eis que lhes dou todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão alimento para vocês. E dou todos os vegetais como alimento e tudo o que tem em si fôlego de vida: a todos os grandes animais da terra, e todas as aves do céu e a todas as criaturas que se movem rente ao chão’. E assim foi.” Gn 1.28-30 NVI.

Neste sentido, qual é o papel da Igreja diante de desafios tão grandes como aquecimento global, desmatamento, êxodo rural, aumento da miséria, falta de alimentos, crescimento desordenado das cidades, consumo desenfreado, etc.? Tudo isso forma um pacote que faz baixar não apenas o nivel de qualidade de vida do ser humano mas também a própria definição do que é ser humano no que tange ao plano de Deus para o homem como coroa da Sua criação.

Não desmerecendo as pequenas atitudes, absolutamente necessárias para a educação da sociedade, e nas quais creio que as igrejas como comunidades locais devam se engajar, creio mesmo que a Igreja e a teologia precisam pressionar o poder público para a implantação de politicas que protejam o meio ambiente e o preserve para o futuro. Muitas medidas poderiam ser facilmente adotadas se houvesse o que chamamos de “vontade politica” e se o enriquecimento rápido, ganancioso e irresponsável fosse deixado de lado. A ex-ministra do meio ambiente, Sen. Marina Silva declarou que “o desmatamento na amazônia só vai acabar quando as árvores valerem mais de pé do que deitadas”. Se não existe interesse por parte dos governos, que muitas vezes estão também envolvidos em esquemas de corrupção, cabe a Igreja e produção teológica denunciar.

A teologia deve levar a sociedade a uma reflexão sobre seu relacionamento não apenas com Deus, mas também com a Criação, como o meio onde vive e com o próximo. Alguns hábitos sociais como o consumismo desenfreado, prejudicam severamente o meio ambiente e além disso são extremamente excludentes, afastam as pessoas umas das outras. A teologia precisa combater tais hábitos a fim de que vivamos num mundo mais harmonioso. De fato, uma reflexão teológica que leve a Igreja e a sociedade a uma prática transformacional nos ligará novamente ao Criador e, se não nos leva de volta, pelo menos nos aproximará do Jardim que Ele plantou para o homem.

* Texto produzido para atender as exigências da EST.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Onde estão as suas cicatrizes?


“Ou você é chamado para descer no poço,
ou você é chamado para
segurar a corda.
De qualquer modo deveria haver
cicatrizes em suas mãos...
Onde estão suas cicatrizes?"

David Paul Washer


Eu tenho várias cicatrizes pelo corpo. A maior parte delas lembranças de uma infância bastante agitada e feliz. Também tenho cicatrizes no rosto, resultado de 36 pontos tomados por causa de um acidente pilotando moto. Cicatrizes, embora indolores, são a prova inequívoca de que, em algum momento, aquela parte do corpo sofreu, quase sempre sangrou e sentiu dor.

Jesus também teve cicatrizes. As marcas dos cravos em suas mãos eram a prova de que havia, sofrido, sangrado, sentido dor. Mais que isso, elas provaram aos discípulos que era Ele mesmo quem estava ali e que havia cumprido a sua missão (Lc 24. 38-49). Embora não precisasse, Ele não esquivou-se de apresentar suas cicatrizes. Não foi sem dor que Jesus cumpriu o seu ministério. Por isso, as vezes fico assustada com pessoas que acham que podem tomar parte do ministério sem sofrer nenhuma dor. Como identificar-se com Cristo na sua vida, se não identificar-se com Ele também no seu sofrimento e morte?

Onde estão as suas cicatrizes? Este ano, completo 14 anos no ministério de tempo integral, se contar desde o tempo de preparação no seminário, quando já vivia exclusivamente para a obra, são 19 anos. Nunca foi fácil. Alguns pensam que um missionário urbano não sofre. O que posso dizer é que o sofrimento é diferente, mas muito presente. Paulo comparou os apóstolos ( que cumpriam uma missão, por isso podemos entender como os missionários hoje) ao soldado e agricultor (1Co 9.7-11). Estas são duas classes trabalhistas que, irremediavelmente, carregam cicatrizes.

Mas no ministério existe um outra categoria de trabalhadores que também deveria ter cicatrizes nas mãos, são aqueles que seguram a corda, como nos a acostumamos a chamar os que sustentam a obra através da oração e ofertas. Ora, segurar a corda não é fácil, exige força (compromisso) e resistência (perseverança). Partindo do pressuposto, que eu acredito ser verdadeiro, que todo cristão tem um chamado de Deus, ou você é um missionário de carreira, ou é um missionário sustentador. As duas missões são essenciais e difíceis. Eu fico pensando em todas as pessoas que mensalmente enviam suas ofertas para mim. Quantas cicatrizes elas tem nas mãos por causa disso? Eu sei que algumas estão fazendo com sacrifício porque entendem que ofertar também é um ministério e no ministério nada é fácil. Mas infelizmente, a grande maioria dos cristãos é formada por pessoas que na primeira dificuldade corta a oferta missionária do seu orçamento, estão dando aquilo que lhes sobra, ou nunca fazem uma oferta missionária. E também há aquelas que não gastam nem um minuto intercedendo por missões. Estas têm as mãos e joelhos lisos, mas desconhecem o valor e o privilégio de sofrer pela causa do Evangelho.

Não há nada que eu reconheça na minha vida como mais prazeroso do que andar com Jesus e cumprir o seu chamado. E eu oro muito para que aqueles que seguram as cordas para mim e tantos outros missionários também experimentem esta profunda satisfação no coração. Então será sempre um privilégio sermos companheiros nas alegrias e lutas pela causa do Evangelho! Para tanto, que Deus nos abençoe!