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domingo, 2 de março de 2008

Projeto Recife: saudade!

O Projeto Recife acabou há exato um mês, mas eu ainda acordo e acho estranho não encontrar todas aquelas pessoas no café-da-manhã. É uma sensação esquisita, parece que me roubaram alguma coisa.

Tenho dito várias vezes que eu nasci pra essa vida. Gosto de projetos e me adapto com muita facilidade. Posso dormir de luz acesa, apagada, com gente falando, em silêncio, numa cama, num colchonete, num beliche, etc. Acredite, essa capacidade de adaptação é um grande benefício pra quem todos os anos passa no mínimo um mês “acampada” em alguma cidade deste país. A verdade é que eu amo muito tudo isso!

Gosto de conhecer pessoas novas. Gosto de gente. Acho que muitos pensam que sou orientada para a tarefa. Engano. Eu gosto mesmo é das pessoas. A tarefa é só uma maneira eficiente de tocar as pessoas.

Acho que adoro projetos porque eles são cheios de pessoas. Este ano tinham 93! E o fato é que Deus a cada ano acrescenta pessoas novas a minha vida de maneiras que não deixam dúvidas que realmente é Ele quem está fazendo isso. Deus tem me dado encontros especiais em cada projeto.

Por algum tempo eu não entendi porque Deus me levou a trabalhar com capelania hospitalar. Apesar de gostar do ministério e de me considerar eficaz no que fazia, sempre soube que aquilo seria apenas um atalho no meu caminho. Hoje é tão claro que Deus estava me levando para perto dos que sofrem a fim de me preparar para cuidar de pessoas.

É isso que eu gosto mesmo de fazer: cuidar de pessoas. E é nesse cuidado que eu me realizo. Gosto das pessoas, amo os universitários. Deus me atraiu para eles e agora minha vida está irremediavelmente comprometida com a deles.

Eu sei falar, mas gosto muito de ouvir. Quero saber dos sonhos de cada um e se possível, ajudá-los a encontrar o caminho mais excelente para suas vidas: o centro da vontade de Deus.

Eu sei fazer muitas coisas também, mas gosto mesmo é de aplaudir os outros. Como me dá orgulho cada realização destes estudantes que de alguma forma Deus me confiou. Eu torço por eles, eu me emociono com eles.

E eu sinto muita saudade deles, dos que estão longe e também dos que estão perto. Mas se há algo bom nesse sentimento, é que pra mim a saudade é uma forma de encontro. É dessa forma que eu tenho aquelas 93 pessoas e tantas outras perto de mim todos os dias. Elas me inspiram, elas enriquecem a minha vida.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Projeto Recife: a lembrança de para que eu vivo

Estou desde 1 de janeiro em Recife coordenando um projeto missionário com 91 pessoas de 11 cidades diferentes, na UFPE- Universidade Federal de Pernambuco. A trabalheira que dá liderar um projeto como esse (falo sobre isso em outro post) me consome o tempo e as forças, mas não podia deixar de narrar o que se passou hoje à tarde no campus.

Posso dizer que um dos maiores prazeres na vida de um crente é, certamente, levar alguém a Jesus. Muitas vezes eu já tive esta experiência, mas é sempre um renovo para mim!

Eu estava andando com uma estudante de Fortaleza que é candidata a obreira do Alfa & Omega e que este ano participa da equipe de coordenação do projeto. É incrível como Deus me dá bons encontros quando estou andando com a Ans, acho que preciso fazer mais isso! No ano passado ela era minha discípula neste mesmo projeto e tivemos também uma experiência maravilhosa com uma menina. Pois bem, eu e Ans decidimos conversar com duas meninas que estavam sentadas numa mesa na beira de um lago que tem no campus.

- Oi! Meu nome é Liege, e esta é minha amiga Ans. Nós estamos divulgando o show da banda V do Avesso que vai acontecer aqui, vocês já receberam o panfleto?
- Ainda não - respondeu uma delas.
- Ah, então vocês são nossas convidadas. Nós fazemos parte de um movimento estudantil que está nas principais universidades do país e estamos fazendo uma pesquisa para conhecer o perfil do estudante da UFPE. Dá pra vocês responderem?
- Tudo bem.

Daí eu comecei a passar a pesquisa. Uma das perguntas era o seguinte: Se Deus fosse um de nós e você pudesse entrevistá-lo, o que você perguntaria a ele? Uma das meninas disse que perguntaria se havia tomado alguma decisão errada na minha vida. A outra disse que perguntaria se o mundo tem conserto. Continuamos a conversar muitas coisas até que uma delas disse que achava que Deus devia estar muito triste com ela porque ela fazia muitas besteiras na vida.

Eu contei para elas a história de Eliseu quando ele vai até a casa do oleiro. E expliquei como Deus desejava consertar a nossa vida da mesma forma que o oleiro consertou o vaso que estava com defeito. Também contei de uma vez eu mesma vi um oleiro se machucar ao moldar um vaso com as mãos porque no meio da argila havia uma pedrinha que o cortou. Eu disse para elas que naquele dia eu entendi que meus defeitos, que na verdade são pecados, também feriam a Deus e que eu acreditava mesmo que a gente entristecia o coração de Deus por viver em pecado.

Depois disso eu apresentei para elas o folheto das Quatro Leis Espirituais usando minha própria vida e experiência com Deus como ilustração para os pontos importantes do folheto. Eu li para elas o texto de Ap 3.20 que tem nas 4 Leis: “eis que estou a porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abri a porta entrarei...” Daí eu me dirigi as meninas e expliquei sobre a importância de tomar a decisão de convidar Cristo para entrar na vida e quais eram as implicações disso. Como uma delas havia dito que perguntaria a Deus se havia tomado decisões erradas na vida eu falei que essa é uma boa preocupação porque nossas decisões podem ter conseqüências eternas. Eu também comecei a compartilhar meu testemunho pessoal de conversão, como foi que eu entendi que precisava tomar uma decisão a respeito do meu relacionamento com Deus.

Depois eu expliquei os círculos das 4 Leis que exemplificam a vida controlada pelo “eu” e a vida controlada por Cristo e perguntei:

- Olhando para estes círculos qual dos dois que cada uma de vocês acha que representa melhor a sua vida hoje?
- Acho que nenhum dos dois. Porque eu acho que Cristo está na minha vida, mas na verdade Ele não está controlando a minha vida. Eu às vezes faço coisas erradas, tomo decisões erradas – uma delas respondeu.
- Será que essas decisões erradas não são tomadas justamente porque Cristo não está verdadeiramente controlando a sua vida?
- Com certeza sim - ela concluiu.
- E você, qual dos dois círculos representa melhor a sua vida?
- Eu também acho que Cristo está na minha vida, mas eu sei que Ele não controla a minha vida – respondeu a outra.

(A esta altura é importante ressaltar que a maioria das pessoas que são apenas religiosas não querem admitir viver uma vida sem Cristo. Elas não entendem que ou Cristo é Senhor e Salvador ou Ele não está na vida delas).

- Estou entendendo o raciocínio de vocês. Mas deixe-me fazer outra pergunta: qual dos dois círculos você gostaria que representasse a sua vida?
- Este aqui da perfeição é claro! – responderam unânimes.
- Muito bem, esta é uma decisão muito importante. A mais importante da vida de vocês.

Então eu concluí o meu testemunho pessoal dizendo também havia decidido que Cristo controlaria minha vida há muitos anos atrás e que esta certamente foi a decisão mais acertada que tomei.

Quando eu perguntei se elas também queriam convidar Jesus para entrar em suas vidas uma delas respondeu:

- Agora. Jesus, entra, por favor, entra! – e a outra também respondeu que queria convidar Jesus.
- Que bom, meninas, que vocês querem convidar Cristo para entrar na vida de vocês, mas eu quero que vocês entendam que isso é uma decisão muito séria. Não adianta nada vocês repetirem a esta oração simplesmente por repetir. É preciso fazer isso com fé. Vocês estão entendendo?
- Sim.
- Sim.
- E vocês querem realmente convidar a Cristo para ser o Salvador de vocês?
- Sim.
- Sim.

Ah, foi lindo! As duas oraram convidando Jesus para entrar em suas vidas e nós ficamos ainda conversando um pouco. Eu lhes expliquei sobre a importância de crescer no relacionamento com Deus.

Na semana passada, Deus já havia me colocado diante de uma outra estudante que também orou recebendo a Cristo e de outros que se mostraram muito interessados no evangelho. Creio que a maioria dos projetistas já viu pelo menos uma pessoa se convertendo no campus durante estes dias. Muitos estudantes que se converteram já começaram as lições de edificação.

Decididamente, eu não poderia gastar minha vida em nenhuma outra coisa. Não consigo imaginar algo que possa me dar mais alegria do que ver alguém sendo transportado das trevas para a Luz. Também tenho enorme prazer em trabalhar com os estudantes do Alfa & Omega. Como é maravilhoso vê-los crescer em caráter e habilidades e dedicar tudo isso para a Obra do Senhor.

Concluo com o texto que foi ministrado no nosso devocional pela manhã:

“Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus” (At 20.24).